sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Escola Estadual de Varre-Sai/RJ !


A estrada do saber

     Viajando por volta dos anos de mil novecentos e quarenta e nove, onde nós morávamos próximo ao casarão existente ao lado da Igreja Matriz de São Sebastião de Varre-Sai!
        Da janela lá de casa, tínhamos uma visão panorâmica da Rua Felicíssimo de Faria Salgado, a rua mais conhecida de Varre-Sai até nos tempos atuais, e de um lado dela estava situada a Escola Estadual de Varre-Sai, (hoje em prédio próprio e em outra rua, a Escola Estadual Dr. Miguel Couto Filho)!
         Esta escola funcionava na residência do Senhor Aracy Giovanini, e as aulas eram ministradas em dois turnos, pois, eram usadas duas salas disponíveis para as aulas, então duas séries pelo turno da manhã e duas séries pelo turno da tarde!
          Neste tempo, neste Estabelecimento de Ensino, a Diretora era a Professora Dona Helena de Magalhães Giovanini. 




           Auxiliada pelas Professoras: Elcy Figueiras, Margarida Nilza Ramos, Nely Monteiro,... Nilda Ramos e outras que não me lembro no momento!



        Era um ótimo ensino, com professores de qualidades, que se faziam respeitar, além de serem também rigorosos no cumprimento do seu dever! 
         Com muito amor e com absoluta falta de material didático que em sua maioria era confeccionada em madeira, pois, as réguas usadas nas aulas de desenho eram de madeira, o quadro negro era de madeira, apagador e giz, os instrumentos básicos usados em sala de aula!
        Um tempo realmente de muitas dificuldades para todos, mas, era a realidade do momento! Em cada sala de aula existia uma cadeira, e em cima desta cadeira, uma pequena pedra, a qual poderia ser pega pelo aluno que precisasse ir ao banheiro (que era para ambos os sexos), tudo isso, visando a não atrapalhar o bom andamento das aulas!
         Era um banheiro dos mais simples para ambos os sexos (em 1949), era apenas um vaso!



         As mãos eram lavadas numa torneira externa (fora do banheiro) e também a água de beber era sem ser filtrada, pois, era da torneira de onde se usava para lavar os latões que transportavam o leite da roça para a rua, para o imediato entrega a freguesia, já que não existia leite em sacolas!




  
        À hora tão esperada por todos, era chegada e era hora do recreio, e os alunos se dirigiam para a parte externa da escola, no quintal, que se tornava uma quadra ou campo de futebol, e a galera ali cortava ou destroncava os dedos, quebrava braço ou mesmo feriam com os tombos violentos na prática daquele futebol de poucas técnicas e de violências intermináveis (de acerto de contas), no entanto, nem todos praticavam o futebol, outros meninos ficavam de olho morteiro nas sacolas ou embornais dos colegas da zona rural, onde as famílias faziam verdadeiras delícias para lanches dos filhos, mas, estes também gostavam de jogar bola, e deixava os seus lanches para depois da “pelada”, só que quando eles iam saborear as delícias trazidas de casa, “alguns” alunos lançavam mãos das guloseimas e comiam, quando chegava à hora de comer, nada mais havia, a não ser o embornal vazio, principalmente do nosso grande e saudoso amigo Miguel Paulanti, pois, ele trazia da roça as delicias feitas por sua mãe, imagina as delícias italianas?
         Existiam alunos com uma boa criação e outros um tanto mais vividos pela escola da vida, que às vezes não ensinava como deveria ser o comportamento, e estes então aproveitavam da fome existente e a fartura disponível de coisas deliciosas, comendo indevidamente a merenda dos outros!

       Naquela época água para beber era trazida da cacimba ou poço, colocada em talhas de barro para ficar fresquinha!   

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

ATÉ JUIZ EU JÁ FUI...

       Por volta do ano de mil novecentos e setenta, fui trabalhar na Auto Viação Natividade, e ela sempre comprou peças e acessórios para seus ônibus na VEMASA S.A, empresa especializada em peças e acessórios para ônibus Mercedes Benz, uma das melhores revendedoras de toda a região.
Havia um bom relacionamento entre a Viação Natividade e a Vemasa S.A, e seus funcionários nos visitavam freqüentemente para efetuar entregas de peças, serviços e outros. E ao findar um ano de atividades, ficou combinada a realização de uma comemoração entre os funcionários das respectivas empresas em Muriaé - MG, com a realização de uma partida de futebol entre as partes seguido de um jantar oferecido pela empresa local.
Finamente chegou o dia, viajamos e chegando a Muriaé, verificamos que faltaram alguns jogadores, e eu estava certo que entrar fazendo parte do time!


       Chegou a hora do jogo e o juiz que ia apitar o jogo também não apareceu e o campo estava com bastante funcionários e familiares da Vemasa e alguns torcedores vizinhos, mas, e o juiz, nada de aparecer!
        Ficamos esperando um bom tempo o juiz aparecer, mas, como não apareceu, em um acordo entre as partes, ficou combinado que o juiz poderia ser da equipe visitante!
          E não é que foi eu o escolhido pelos jogadores da empresa Natividade para apitar o jogo.


          Aceitei e reuni os dois times e combinamos que não teria auxiliares, e, que não aceitaria e reclamações e nem faltas violentas, e todos concordaram!
Foi iniciada então a partida e o jogo transcorria normalmente em um clima de tranqüilidade e eu estava me sentindo que apitava normal agradando aos dois times, mas, em um determinado momento o time da casa fez uma falta violenta e parei o jogo e chamei a atenção de jogador, que poderia ser expulso se cometesse outra falta semelhante!




        Em determinado momento ainda no primeiro tempo, o time da casa chutou uma bola forte no cantinho do gol da Viação Natividade e o goleiro espalmou a mesma para escanteio!
       Ao bater o escanteio, o jogador da Vemasa levantou muito o pé e marquei uma falta perigosa, e ai o tempo esquentou, os jogadores partiram para cima do juiz, que nesse caso era eu, e sai batido para me proteger, e depois tudo foi contornado, e comecei a apitar com certo medo, e novamente outra falta perigosa, então expulsei o dito jogador, que não gostou e queria agredir o juiz, e, então o jogo foi encerrado em zero a zero, e fomos tomar banho e jantar todos juntos e misturados em um clima de paz, já que as duas empresas eram realmente muito amigas e não havia razão para sentimentos estranhos ao proposto que eram as comemorações de fim de ano entre as duas empresas e seus funcionários.
           Nunca mais me atrevi a ser juiz nem mesmo para julgar pessoas ou apitar alguma coisa esportiva!

         Não levei uma boa surra nem sei por que, mas, aprendi que nem sempre vale apena a pessoa atender aos pedidos de amigos, nem sempre!